“A Ampa atua em parceria com o Inpa há 24 anos no Projeto Peixe-boi e com essa Soltura alcançamos a marca de 59 animais devolvidos à natureza, é o maior número de animais soltos na América do Sul”, comenta Vera da Silva, coordenadora do Projeto Peixe-boi.
Por Fernanda Farias – Ampa
Fotos: Anselmo d´Affonseca
Da reabilitação ao monitoramento, o Projeto Peixe-boi do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), junto com a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) e o apoio financeiro do Seaworld Fund, continua atuando na pesquisa, realizando ações pra conservação e devolvendo vidas aos rios da Amazônia. Com a soltura, que levou mais 10 animais no dia 21 de março aos rios da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, o Projeto chegou à marca de 59 animais soltos.
Segundo a pesquisadora do Inpa e coordenadora do Projeto, Vera da Silva, a atividade reforçou o compromisso contínuo com a preservação desse mamífero aquático, que está na lista de animais vulneráveis à extinção. “O Projeto ter alcançado números expressivos e inéditos na América do Sul é motivo de orgulho para nós e também para os moradores da Reserva”, destaca.
Antes de serem devolvidos à natureza, a pesquisadora explica que os animais passam por uma etapa fundamental de adaptação em semicativeiro, realizada em um lago seminatural na Fazenda Santa Rosa, no município de Iranduba (AM).
“A fase de semicativeiro é decisiva para o sucesso da soltura. Nesse período, realizamos exames e monitoramos a saúde dos animais para garantir que retornem aos rios saudáveis”, explica.
Os animais resgatados pelos órgãos ambientais são, em sua maioria, vítimas da caça ilegal ou de capturas acidentais em redes de pesca.
“ Chegam ainda filhotes ao Inpa, após perderem a mãe para a caça e sem o leite materno, esses filhotes não sobreviveriam sozinhos na natureza”, esclarece a bióloga.
Além do esforço técnico e científico, a continuidade do projeto depende diretamente do apoio financeiro de parceiros. “A soltura de peixes-bois é um processo bastante caro. Sem o apoio dos nossos parceiros, como o Fundo de Conservação do SeaWorld, não teríamos conseguido realizar essa expedição e dar continuidade ao projeto”, ressalta a pesquisadora.
Com os resultados, após a etapa de monitoramento, o projeto conseguirá medir o impacto direto da soltura na preservação dessa espécie amazônica.
Educação ambiental
O Projeto Peixe-boi, além de ser referência na reabilitação e soltura na América do Sul, é também um importante instrumento de divulgação, popularização da ciência e educação ambiental nas escolas e comunidades ribeirinhas.
E o trabalho com os alunos e com a comunidade precisa ser contínuo, como explica a educadora ambiental da Ampa, Juliana Oliveira.
“Meses antes da soltura realizamos atividades de sensibilização e educação ambiental junto às comunidades, que são peças-chaves na conservação da espécie”, comenta, acrescentando que “esse ano as atividades foram direcionadas para frisar a importância do peixe-boi para o equilíbrio dos ecossistemas e como a comunidade pode colaborar mais na proteção da espécie”.
Próximos passos do Projeto
O centro de reabilitação do Inpa, hoje, está com mais de 50 animais sob cuidados humanos , e de acordo com a pesquisadora, apenas em 2025 foram resgatados 12 filhotes.
“Todos os anos recebemos entre 10 e 15 animais que precisam de cuidados para sobreviver. Agora vamos avaliar a saúde dos peixes-bois juvenis e adultos no plantel do Inpa para saber quais estão prontos para a etapa de semicativeiro e assim dar início à readaptação desses animais ao ambiente natural para poderem participar da próxima soltura”, finaliza.
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